Os Animais

Bicho do mês de Dezembro de 2015

ANTA

Tapirus terrestris

Esta espécie de anta ocorre desde o sul da Venezuela até o norte da Argentina, sendo o maior mamífero brasileiro e o segundo da América do Sul. Habita florestas e áreas abertas com abundância de palmeiras e próximas a cursos dágua, pois são excelentes nadadoras. Durante o dia se abriga nas florestas e à noite vai aos descampados para forragear. Pode viver em áreas com até 1.700 metros de altitude.

Pesam entre 180 e 300 kg e chegam a medir 2,40 metros de comprimento, sendo as fêmeas maiores que os machos. A coloração é amarronzada e diferencia-se das outras espécies de antas por apresentar uma crina, que vai desde o pescoço até a fronte da cabeça. As antas apresentam uma probóscide, conhecida como “trombinha”, uma estrutura móvel e flexível que elas usam para coletar alimento, facilitando a captura de folhas e frutos durante sua alimentação.

Podem se alimentar de até 42 espécies de vegetais, sendo que 30% ou mais da sua dieta é composta por frutos, preferencialmente de buriti (Mauritia flexuosa), palmito-juçara (Euterpe edulis), jerivá (Syagrus romanzoffiana), inajá (Attalea maripa) e patauá (Oenocarpus bataua). O restante da dieta é complementado com outros materiais vegetais, como folhas e plantas forrageiras.

Os hábitos alimentares da anta a tornam uma jardineira das florestas. Porque, além de dispersar as sementes destes frutos que consome, ela realiza a “poda natural” de várias espécies de plantas, ao consumir os galhos e ramos laterais. Ou seja, são animais especialmente importantes na manutenção das florestas de palmeiras na América do Sul.  

Apesar de ter hábitos solitários, frequentemente convivem com outros animais frugívoros, como queixadas (Tayassu pecari), catetos (Pecari tajacu) e veados-mateiro (Mazama americana), que não necessariamente se alimentam dos mesmos frutos. Na Colômbia convive também com outra espécie de anta, o tapir-centro-americano (Tapirus bairdii).

A anta possui reprodução lenta, com uma gestação que pode durar mais de 400 dias, o equivalente a 13 ou 14 meses, com nascimento de um único filhote por vez. Em contrapartida, não há sazonalidade na reprodução e a fêmea possui vários estros em um ano. Elas entram no cio a cada 50 ou 80 dias, e este dura dois dias.

Os filhotes nascem pesando entre 3 e 9 kg, e apresentam listras brancas no corpo, que desaparecem aproximadamente com seis meses. Eles passam a comer alimentos sólidos já nos primeiros dias após o nascimento, mas só são efetivamente desmamados depois de 10 meses de idade, tornando-se independentes com 18 meses. A maturidade sexual, tanto para machos quanto para fêmeas, é atingida com 3 ou 4 anos de idade e podem reproduzir-se até os 28 anos, pois vivem em média 35 anos.

A anta é classificada como uma espécie vulnerável à extinção, sendo que esta classificação varia ao longo de sua distribuição. Sendo considerada criticamente em perigo na Argentina e regiões da Mata Atlântica brasileira. Além disso, já está extinta na Caatinga e nas regiões próximas aos Andes.

As principais ameças à espécie são a caça predatória, pois devido à sua lenta reprodução a reposição dos indivíduos fica comprometida, e também a conversão de seu habitat em campos cultivados, pois nestes casos as antas perdem seu espaço de sobrevivência e além disso, tem muitas vezes que competir com o gado em busca de recursos. Porém, os atropelamentos, as queimadas e o crescimento dos centros urbanos e áreas rurais também impactam na conservação da espécie. Atualmente é a região amazônica que possui as maiores chances de proteção da espécie, onde ficam as maiores populações, pois estima-se que nas outras regiões todas as populações com menos de 200 indivíduos podem desaparecer em até 33 anos. 

Confira os outros meses:

» Dezembro de 2015 - ANTA

» Novembro de 2015 - TIÉ-SANGUE

» Outubro de 2015 - JARARACA-VERDADEIRA

» Setembro de 2015 - BABUÍNO-VERDE

» Agosto de 2015 - MARRECA-IRERÊ

» Julho de 2015 - JABOTI-PIRANGA

» Junho de 2015 - FURÃO

» Maio de 2015 - FURÃO

» Abril de 2015 - PÍTON

» Março de 2015 - LOBO-GUARÁ

» Fevereiro de 2015 - URUBU-REI

» Janeiro de 2015 - URUBU-REI